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2022, São Paulo – O projeto para a Casa nas Árvores surgiu como uma brincadeira. Em um momento de crescimento familiar, com novos netos e sobrinhos, a cliente entendia que o universo lúdico da casa da árvore poderia acrescentar à experiência de estar em Monte Verde, Minas Gerais. Diante desse impasse de idades, o desafio que o Studio MEMM buscou responder foi de criar um espaço que além de acolher aos adultos, trouxesse aos olhos mais maduros, a magia que as crianças enxergariam ao mesmo tempo que pudessem usufruir das funções de uma tradicional a casa em meio a floresta.

Antes de iniciar a concepção do projeto, foi necessário escolher a árvore e entender seu contexto. A solicitante já tinha em mente opções em uma região próxima ao lago do terreno. Em volta dele, orbitavam programas como o anexo da piscina, um deck, piscina natural e a nova casa fecharia o entorno do corpo d´água. O jardim, densamente povoado por inúmeras espécies arbóreas, traz a privacidade e ambiência de cada programa ao redor da zona molhada. Somado a isso, um gentil e contínuo declive se estende por todo o terreno, de forma que os arredores do lago são dispostos em suaves platôs.

Os fechamentos da casa da árvore foram pensados como planos de vidro, permitindo maior relação entre interior e exterior. Para fixar os vidros das fachadas, os caixilhos, pensados inicialmente em madeira, foram substituídos pelos de alumínio, devido seu caráter mais esbelto. Com acabamento grafite escuro, se destacam da madeira, enfatizando o limite entre o construído e o vazio. Além disso, esses caixilhos contribuem na drenagem das águas que escorrem pelas fachadas, evitando a criação de poças sobre os baguetes inferiores do caixilho, que no caso da madeira poderiam ser danificados ao longo do tempo.

Inspirado nas geometrias das estruturas das folhas de plátanos do entorno, os brises foram construídos industrialmente com madeira laminada colada, cortadas em sistema CNC. Instalados no interior, e rodeando os volumes, esse elemento busca abraçar o convidado e criar uma impressão de uma redoma que contém todo esse universo a parte nos interiores, instigando a imersão e desconexão com o mundo externo, transportando o usuário para um abrigo que o permita experienciar uma sensação de irreconhecível encantamento.

A casa é composta por dois volumes posicionados por entre as ramificações das árvores. O primeiro módulo e menor, com 4 por 1,5 metros, é um volume de recepção e apoio que teve sua posição original preservada. Já o segundo, com 4 por 3 metros, feito para receber as atividades de permanência, teve de ser deslocado para se acomodar à torção dos troncos que, conforme ganham altura, sofrem variações de posicionamento. Além deles, há duas passarelas: uma menor, que conecta os dois módulos, e a grande passarela – responsável por regular suavemente o declive do terreno e conectar a casa da árvore ao percurso principal que corta a propriedade. 

A iluminação, além de evidenciar a beleza arquitetônica sem agredir a escuridão natural, busca contemplar as árvores que cercam a residência: o olhar se inicia no solo e troncos, subindo e descobrindo as copas, que com seus galhos e folhas, filtram o azul do céu. Nos interiores, foram instaladas luminárias no piso, lavando os brises de baixo para cima, trazendo luz, ao invés de sombra, para parte inferior das geometrias. A solução ressalta a visão do interno a partir do exterior da casa, e colabora para o efeito de descoberta do elemento nas alturas.